Vitrenes vistosas


Macy’s, a maior loja de departamentos do mundo, colocou trabalhos de alunos do Pratt Institute  em suas vitrines. O mentor foi o estilista Ralph Rucci  que declarou: “só colocamos pequenas restrições. Explicamos que queríamos modelos limpos, simples e com desenho minimalista. Os alunos que extrapolaram não foram selecionados”.  Julgando pelo visto nas fotos, imagina-se que o brilhante estilista deve ter aprendido o significado de minimalismo em alguma escola especializada em roupas para o “Cirque Du Soleil”.

imagem 1Criações “minimalistas” dos alunos da  o Pratt Institute

Papel e reciclagem

Em 2011, o mesmo Pratt Institute fez outra exibição na Macy’s; naquela vez com modelos em papel. Pura criatividade e nada semelhantes ou  cópias  da Rei Kabakuwo, como as feitas no desfile daquele estilista sushi-fashion, onde as modelos se rasgavam ao final, propiciando um bom material para produtos reciclados .

imagem2 imagem3“Paper Dresses”  pelos alunos do Pratt Institute -2011

Menos que dez

A mídia americana, fez uma lista das 10 mais importantes fashion weeks do mundo. Não se sabe se por esquecimento ou desconhecimento, as brasileiras não fazem parte dessa lista. Mesmo com afirmações da mídia, sempre brasileira,  de que a SPFW era a quinta.

imagem4Logo oficial do SPFW

Lista niilista

O site Global Language Monitor também fez sua lista. Desta vez, das cidades mais fashionistas do mundo. São Paulo aparece em 15º. lugar. Qualquer lista que coloque Tóquio em 11º. merece a mesma credibilidade que a negativa de que Paulo Maluf tem conta no exterior. Não há no planeta, nada que se compare a  Omotesando, Shibuya e Harajuku em termos de moda.

Mudanças de CEP

A marca Maria Bonita, atualmente identificada como Maria Ex Bonita, fechou sua última loja em São Paulo. Seguiu os mesmos passos de Isabela Capeto. A primeira, que foi a melhor marca brasileira no tempo de Maria Cândida, porque perdeu o estilo e qualidade após sua morte. A segunda, porque não perdeu nada, já que não tinha nada a perder.

CollageMaria Cândida e Isabela Capeto

 


Rendas & Babados


 Presentes atrasados 

Na época de Merry Christimas e Happy New year  nas vitrines colonizadas e que crianças brasileiras cantaram Jingle Bell em publicidades na TV, Santa Claus, também identificável  como Papai Noel , escolheu alguns privilegiados para gifts apropriados. Sua primeira lembrança foi para as editoras de moda que continuam achando que vivemos no circuito Elizabeth Arden. Para elas, reservou uma completa enciclopédia de Inglês-Português com direito a tutores explicando  que, na verdade, o que elas chamam de fashion, deveria ser grafado como trendy.  Os presentes serão entregues com atraso. Assim como são as cópias das capas e matérias  de revistas estrangeiras editadas na farofashion land.

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Endereços evitáveis

Alexandre Herchcovithc lançou um ótimo  guia dando dicas de lugares interessantes nas cidades certas do hemisfério certo. Para ser coerente com seu bom/mau humor permanente, Rendas e Babados dá as dicas dos lugares que devem ser evitados em São Paulo: A cracolândia, a estátua do Borba Gato, o Parlamento da América Latina no Memorial, o vão do Masp aos domingos; lojas que tenham nas vitrines anúncios de Sale e Off, aquela loja na Vila Madalena daquele estilista  preferido do ET de Varginha;  os bares e calçadas da rua Vieira de Carvalho, churrascarias que assam carne na porta com recepcionistas vestidas para o filme A Noviça Rebelde;  a estação de Metrô da Praça da Sé, a marquise na Praça do Patriarca, uma espécie de Arco do Triunfo anão e sem vitórias; as cadeiras da inquisição de Lina Bo Bardi no teatro do Sesc Pompéia, a Praça Charles Miller em dias de jogos; a 25 de Março em qualquer dia, mês, ano e século; as pontes Estaiada e sua irmã com falta de vitamina, a Estaiadinha;  todas as pontes do Rio Tietê que levam ao lado errado da cidade; qualquer imóvel que tenha na porta uma placa escrita “Deus é Fiel”;  restaurantes com música ao vivo, transformando as refeições em suplício;  filiais de restaurantes renomados em shoppings,  a fachada das Casas Bahia em frente ao Theatro Municipal e, último, mas não  derradeiro, a esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta em dias que  Fauze Haten resolve fazer um flash mob.

Collage               Guia de Alê Hercovitch                Flash mob de Fause Haten na Av.Paulista           

Prada na pradaria.

Segundo a revista  Forbes, “a última tendência da moda italiana é a evasão fiscal”.  Miuccia Prada negou que esteja sendo investigada pelo imposto de renda italiano por falsas declarações.  Todos acreditam nessa declaração:  afinal de contas, o que deve ser investigado é como ela consegue fazer roupas tão feias e mal feitas e ainda ter compradores.

Collage2  Miuccia                                                               Prada

 

 

Riachuelo chic

As Lojas Riachuelo abriram uma grande e bem montada loja na “5ª. Rua mais chic do mundo”, também conhecida como Oscar Freire. Muitos beicinhos, alguns até com sotaque, se insurgiram. Os mesmos que acham a Top Shop “luxo”, naquele shopping muito grande na pretensão.  Nenhum desses beicinhos foi visto discursando contra as Lojas Americanas e C&A mas, certamente,  ficariam indignados se o Magazine Luiza comprasse o ex Fasano e o transformasse  na primeira loja de móveis e colchões com direito a manobrista na porta.

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Déficit arredondado


Karl Lagerfeld deve ser mais criterioso  com sua tagarelice: depois de dizer em programa de TV francesa que “o grande déficit da previdência social é causado pelas doenças provocadas pelas pessoas gordas”, continuou , afirmando que “ninguém quer ver pessoas redondas nas passarelas”, despertando a fúria da Associação Bela, Redonda, Sexy e Assumida (Belle, Ronde, Sexy  et  je m’Assume) que agora lhe move um processo por discriminação. Lagerfeld tem que tomar cuidado; dizer verdades nestes tempos de exageros da politicagem correta, pode causar transtornos que nem mesmo o Ministério da Saúde consegue advertir.

CollageKar Lagerfeld  e o pôster da associação

Exaustas fashion weeks

Lisa Armstrong, a editora de moda do jornal britânico The Telegraph, confessa que “acabou de ouvir” que o London Fashion Week  não decola por que os ingleses não cessam de criar o ridículo. No mesmo artigo, faz referências às outras semanas de moda pelo mundo, passando, com  críticas quase ácidas, pela de Nova York, e assumindo que restam Milão e principalmente, Paris. No artigo, São Paulo e Rio aparecem ao Lado de Bangalore, Lodz, Dubai, Cingapura e Hong Kong, como exemplo de que “onde há uma máquina de costura, pode haver uma semana de moda.” Com essa afirmação, Lisa abre um perigoso precedente: Em breve, poderemos ter fashion weeks e fashion trends em cidades com os sugestivos nomes de  Veado Velho CE e Bofete ,SP.

UntitledLisa Armstrong em Ascot

Média midiática

A saltitante -falante Carine Roitfeld, aquela que, entrevistada pela Rádio Jovem Pan, disse sobre a moda brasileira  “que era nossa  vez, mas desconhecia os estilistas e iria procurá-los no Google”. Agora, em  Londres, para ser melhor ouvida, afirmou que a London Fashion Week  “é a melhor do mundo”.  Em breve teremos a mesma afirmação sobre as semanas de Ulan Bator e Burkina Fasso, dependendo de quem lhe pague a viagem e os saracoteios.

UntitledCarine Roitfeld

Xerox com defeito

Ainda soam as gargalhadas provocadas por Reinaldo Lourenço, o decano da fashion xerox, declarando ao  articulista de moda da Folha de São Paulo, Pedro Diniz:  ”Eu não copio, apenas,  no começo da carreira, olhava o avesso de algumas roupas para aprender modelagem e reproduzir. Mas cópia é outra coisa”  e que  a famosa similaridade entre seus gatos e os de Helmut Lang foram tiradas da mesma referência que Helmut usou em 1989.  Desde que Carmem Miranda cantou, pela primeira vez, Tico-Tico no Fubá, não se ouvia algo tão hilário.

UntitledHelmut Lang 1989   -  Reinaldo Lourenço 2011

Desconhecidos ilustres

Todos os brasileiros que viajam para as cidades certas do hemisfério certo, voltam se perguntando onde é que os nossos estilistas andam fazendo sucesso lá fora. A resposta correta nunca será encontrada em revistas estrangeiras com edições nacionais, afinal, parece que a frase “em nenhum lugar”, não faz parte do vocabulário pretensioso-caipiroso das nossas editoras de moda.

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Onde mesmo?


Rendas & Babados


Bate boca modeiro

Não é só o pessoal do fashion-kosher  que anda indignado com o baticundum entre Rony Meisler Reserva e Oskar Metsavaht Osklen. Os fãs de Emilinha e Marlene e de Dener e Clodovil, também ficaram.  Não admitem cópias que não contenham ironias e requintes.  A troca de amenidades que corre solta nas redes sociais, só está provando que, apesar das pretensões, o champanhe que eles tomam só pode ser bebido na companhia de uma boa macarronada.

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Oskar X Rony

Fora dos diários

Apesar de ser o primeiro estilista-celebridade da moda norte americana, Halston, que tinha como amigos de beijos-e-canudos,  Liza Minelli  e Bianca Jagger entre outros, no célebre Studio 54,  foi oficialmente excluído dos livros de memórias de Andy Wharol, colega de copos-e-bandejas. Não se sabe o motivo: mas talvez tenha sido descartado por ser um belíssimo rapaz, enquanto Wharol, apesar da fama, só poderia ser comparado à uma vassoura com excesso de uso.

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Halston retratado por  Andy Warhol e ele próprio

De volta para o futuro

Pierre Cardin, o gênio da costura que fez da moda uma modernidade na década de 1960, comemora 60 anos de sua primeira coleção Couture, dia 26/11, em grande estilo, no seu restaurante Maxim’s de Paris.  Em suas idas e vindas por várias décadas, estilistas atuais, que não conseguem prever a moda do  porvir, terão como inspiração Cardin. Nesse momento, a moda reencontrará seu futuro.

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Cardin e sua moda revolucionária

Madame punkeira

Vivienne Westwood, uma estilista amada por aqueles que acham criativo colocar roupas do século 19 misturada a maquiagens e cabelos  enlouquecidos, está escrevendo um livro. Para apresentar suas memórias, escolheu como parceiro do teclado e monitor, o escritor Ian Kelly, afinal, seu melhor talento está no que diz, não no que faz. “Os vivos merecem respeito, os mortos a verdade”, afirmou em entrevista para a WWD.  Não se sabe em qual dos dois estados ela estará colocada nesse livro. Se for no segundo, melhor guardar na prateleira até o suspiro final.

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Dame Westwood ao final de um desfile com suas modelos

Frase fraseada:

“ A opinião pública é sujeita à moda, e tem ordinariamente a mesma consistência e duração que as modas.” 

Marquês de Maricá


T-VESGA


Sai correndo

A TV Globo, preocupada com a escada rolante que o Ibope insiste em ligar só com marcha para baixo, resolveu ser novamente moderna. Toda essa modernidade, além das releituras de novelas antigas, com assuntos irrelevantes e ultrapassados, agora recebeu o reforço de Sai de Baixo, o único programa que não precisa de texto, apenas “cacos” para ser ruim.

O elenco de Sai de Baixo, continua o mesmo . Mariza Orth, que não se sabe se é uma atriz em dúvida ou uma dúvida de atriz, é acompanhada por Luiz Gustavo, um ator que não tem dúvida: continua sendo Beto Rockfeller que comeu algumas  macarronadas a mais durante alguns anos; Aracy Balabanian, uma Dona Armênia permanente, desta vez  sem sotaque e sem “filhinhas”; Marcia Cabrita, comediante que pode se orgulhar de não ser confundida com ovelha e, finalmente, o multitalentoso Falabella que, apesar dos colegas, só consegue fazer rir usando a palavra “pobre”. O hilário porteiro,  Tom Cavalcante,  não apareceu. Nem precisava. Tony Ramos, veio em seu lugar como mordomo com sotaque francês. Tony Ramos com sotaque francês é o único personagem que faz rir sem o menor esforço.

saidebaixo

Quinteto Mordenizado

Amor aos pedaços

O brilhante Mateus Solano está provando em Amor á Vida , que um personagem pode ir se transformando, segundo o desejo do autor e com o decorrer dos capítulos.  De gay com maneirismos maléficos, passou à uma tresloucada com cacoetes diários; uma espécie  de Carmen Miranda que, em vez de babados, usa taieres nem sempre bem cortados, mas muito contemporâneos no visual. Ainda não se sabe até que ponto essa transformação poderá chegar mas, para ser muito atual, poderá, no último capítulo, ser internado na clínica de eletrochoques dublando Lady Gaga vestida por Armani.

felixNem morta, Papi

Além da esquina

Nem as paisagens ou efeitos especiais globais estão salvando Além do Horizonte – novela que tropeçou na esquina e desceu ladeira abaixo da audiência. Como remédio para os machucados dessa queda, resolveu-se que atores veteranos, mas com apelo, poderão ser chamados para  tentar uma recuperação lépida. A estrela dessa modernização seria Regina Duarte, uma adolescente em crise existencial interminável;  Betty Faria, como garota rica e rebelde que encontra o grande amor, vivido por Tarcísio Meira, no papel de um jogador de futebol juvenil que, dispensado por falta de talento, resolveu procurar vida  alternativa em um paraíso perdido. Francisco Cuoco, então, poderá interpretar um surfista perdido e resgatado por Marília Pera, agora com voz eternamente infanto-juvenil, com entonação perfeita para captar audiência de imberbes com o play station quebrado. Se todas essas tentativas fracassarem,  sugere-se uma medida radical e, possivelmente, eficiente: MELHORAR O TEXTO.

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Francisco Cucoco e Marília Pera           Tarcísio e Betty Faria

reginaduarteRegina Duarte

 

 


RENDAS & BABADOS


Opinião importada

O resto do mundo ainda está rindo com as perguntas que jornalistas brasileiros fizeram ao estilista italiano que mais vende nos EUA , Roberto Cavalli. Em recente visita àquele   shopping, tão democrático que tem Lojas Americanas e C&A  convivendo com a Tyffany,  separados apenas por uma coluna de elevadores,  Cavalli foi sabatinado com perguntas originalíssimas,  como “moda brasileira” e “mulher brasileira”. Sempre à espera de um elogio confortável para suas pautas triviais, os coleguinhas da imprensa modeira, não conseguiram conter o tamanho da boca aberta de espanto, quando o estilista disse que não conhecia nossa moda e ainda acusar “certo estilista local” de copiá-lo, provocando um alvoroço ruminativo  sobre quem seria o tal estilista; afinal de A à Z, copiadores é o que não faltam para especulações.   O ressentimento de nossos jornalistas só foi amenizado quando Cavalli –com um olhar no cash-do-caixa– disse que a mulher brasileira é a mais sexy  que conhece, referindo-se à Adriana Lima como uma das suas musas preferidas. Desde que Roberto Carlos, o biografado sem biografia, falou nas curvas da Estrada de Santos, não se ouviam elogios à curvas como as que ele  fez à Adriana. Nestes tempos modernos, em que estilistas são mais conhecidos pelo que dizem do que pelo que fazem, Cavalli soube aproveitar sua verve alfineteira para transformar uma pauta que seria banal,  em entrevista com conteúdo bananal.

Fotos do editorial com a coleção Just Cavalli para o  House Of Model feitas em minha casa

Equipe que trabalhou na produção e fotos


HERANÇA MILIONÁRIA


Quando gritaram para Pedro Alvarez Cabral: terra à vista, ele nunca poderia imaginar que estava descobrindo as terras que se transformariam em um dos maiores caldeirões culturais do planeta. Ao desembarcar, encontrou seres que andavam nus, alguns com raras plumas em lugares onde eram menos necessárias, para espanto dos tripulantes da esquadra que,  pela primeira vez, viam o homo sapiens  sem pelos no corpo passeando suas partes pudendas a descoberto.

O tempo passa…

Trinta e um anos depois,  novo choque: desta vez dos escravos negros que desembarcavam acorrentados e apavorados  em uma terra que tinha, felizmente,  o mesmo clima que a  deles, mas com um povo cuja anatomia jamais tinham visto. Até que…em 1808, com a chegada da família real, portugueses, índios e negros começavam uma nova civilização, uma nova maneira de agir, de falar e de vestir. Português mesclado às linguagens silvícolas e africanas.  Mistura de vestes e adornos exóticos  com  golas e punhos  de renda e plumas de aves inusitadas. A seda juntada a tecidos rústicos. Turbantes com arte plumária e penteados estilo império, sob um sol sempre presente e nunca menos que escaldante.

Sim, uma nova “moda” nascia com  a originalidade própria da mescla criativa de cérebros e repertório cultural tão diferentes.

Anos mais tarde, franceses e holandeses também andariam biscoitando sua lourice, mas o único legado por eles deixado foram belos mulatos e mulatas com olhos parecidos à pedras preciosas.

Noites ardentes miscigenaram  o branco, o negro e o amarelo. Tudo ao som de tambores e atabaques provavelmente com fundo de guitarras portuguesas que nunca sonharam, um dia, com a eletrificação e serem tocadas em caminhões chamados de Trio, criando uma cultura musical extraordinária. O lugar se chamava Bahia e a descendência daquelas noites e, porque não, também dias, se espalharia por todo o país, naquela época ainda dividido pelo Tratado de Tordesilhas que, se explicado aos nativos, provavelmente os matariam de tanto rir.

O futuro

Séculos depois, desapareceriam as plumas e turbantes, agora só encontrados em desfiles carnavalescos e casas de shows para turistas desavisados.. Aquela moda original deixou de existir para se adaptar aos tempos modernos em que descendentes dessa fornalha racial foram transformados em silvícolas que usam bermudas e camisetas imaginadas na Califórnia; calças de índigo criadas na Itália e jaquetas college concebidas em universidades norte americanas,  cujos conhecimentos sobre o país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, se limita a livros de antropologia ilustrados por pinturas e gravuras feitas por um francês genial  de sobrenome Debret.

O presente

Como passar do tempo, a herança mais rica que essa mistura de raças nos legou foi, sem dúvida, a música. Em poucos lugares se encontra diversidade sonora como aqui. Dos africanos, certamente os mais musicais, uma teia de ritmos alucinantes que escaparam das nossas fronteiras e hoje são apreciadas e bailadas pelo mundo todo.

E onde mais pode ser encontrado um sincretismo gastronômico como o nosso? Onde, em um mesmo restaurante ou bar de esquina, pode-se comer um quibe antecedendo o vatapá? Onde comer um sushi e, depois fartar-se com tabules e  churrascos nos delirantes rodízios? Onde podem ser vistos índios vestidos de surfistas em suas aldeias e mulheres espetaculares descobrindo, cada vez mais,  suas curvas em praias paradisíacas e até, vejam só, em programas de TV? Voltaremos ao início da nudez total encontrada por Cabral?

A moda deveria mirar na gastronomia e na música. Misture, ouse, respire, transpire, INSPIRE-SE.

O pintor francês Jean-Baptiste Debret

Influência africana em roupas e  pinturas com  coloridos e extraordinários

A mistura de moda européia com africana

As vestimentas masculinas

A riquíssima mistura de estilos

Casamento de negros alforriados com suas chiquérrimas indumentárias


Espanha e África juntas e misturadas

Penteados e arranjos : Europa e África na terra do Pau Brasil

Austeridade espanhola e exuberância africana

A mais perfeita interação do estilo napoleônico e africano



CPI DA MODA: “É TUDO MENTIRA!”


O que a jornalista CHRIS MELLO escreveu no jornal O Estado de São Paulo em 20 de Abril de 2006. Sete anos depois, uma soma considerável de dinheiro público (cerca de R$7 milhões) será destinada, através da Lei Rouanet, para que  Pedro Lourenço, Ronaldo Fraga e Alexandre Herchcovitch façam desfiles “culturais”. Enquanto isso, bibliotecas públicas jogam livros fora por terem estragado em vazamentos, má conservação e a ineficiência de sempre.

“Moda brasileira está na moda. Quem disse? Informações são desencontradas. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil divulga que o setor, que emprega 1,6 milhão de pessoas, importou US$1,51 bilhão e exportou  2,2bilhões – 5% a mais que em 2004. Parece bom. Mas o que o povo da moda diz (em off) pinta esse cenário de hypes e blefes da cor da estação: negro.

Está duro de vender e as taxas são altíssimas. Uma estilista formada em Paris ainda recebe do dono de uma grande marca peças gringas para copiar. Salários são baixos e não há mão de obra especializada. Modelista boa, que é essencial, além de rara, é profissão malvista pelos metidos a fashionistas. Um diretor de Marketing deixa escapar que a fábrica onde trabalha deve pra ‘n’ fornecedores. Falta tecido de qualidade. Marcas sem estrutura desfilam em eventos de moda que, a bem da verdade, focam em marketing.

Uma brander europeia que conheço quer parar de fazer negócios com brasileiros, pois não cumprem os prazos. Então, em meio a tanta desorganização, como é possível vingar num mercado competitivo? O Brasil é atraente e o que sai do País chama a atenção, mas dizer que a moda brasileira está na moda é devaneio. Havaianas, Daslu, H.Stern, Rosa Chá e Carlos Miele são sinônimos de Brasil. O resto,  sorry! Não basta parear o calendário nacional de desfiles internacionais e achar que estamos ali, ó, com Paris-Londres-NY. O negócio não é fácil. Quem é que ganha dinheiro pra valer, além dos espertos coreanos do Bom Retiro? Qual a verdade?

A consultora Glorinha Kalil está promovendo uma espécie de CPI da moda para descobrir verdades e caminhos para tentar conscientizar e melhorar o setor por meio do seminário Fashion Marketing. “ A moda não é ilha da fantasia, mas uma indústria que passa por um momento apertado e, como o País não é bom comprador, temos de tratar de vender para os outros” , diz Glória. Para explicar as etapas que o Brasil teria que conhecer e concretizar para participar seriamente do mercado, trará Didier Grumbach, presidente da Federação Francesa da Costura, homem que manda na moda francesa. Sarah Lerfel, da Collete, virá para contar como chegou ao modelo da copiadíssima loja conceito parisiense. O que faz o consumiror feliz hoje? Sarah responde: “Se eu soubesse! O que posso dizer é que existe um desejo por coisas feitas sob medida, séries limitadas e itens exclusivos.” Então, pedala Brasil, pois copiando não vai dar pé. É melhor que seja rápido, pois a China e a Índia investiram pesado em formação e modernização e estão bombando na produção. Carlos Miele diz que o que falta no Brasil é planejamento. Lógico. Não foi de repente que a São Paulo Alpargatas começou a exportar 10% da produção das Havaianas – o equivalente a 15 milhões de pares. Os chinelos começaram a ser vendidos para a  América Latina nos anos 80 sob o bordão “bom e barato”. Nos anos 90, a empresa mudou de posicionamento a fim de construir uma imagem cool e, para que a mudança tivesse efeito internacional, firmou parcerias com distribuidores que projetam a imagem da marca. “Estas minioperações locais de branding fazem a diferença, diz Carla Schitzberguer, diretora da Alpargatas – que, aliás, acaba de abrir uma loja em ST.Tropez. Rui Porto, da Alpargatas, Eliana Tranchesi, Roberto Stern e Miele farão no seminário palestras, seguidas de debates, a fim de identificar o que está bem (e não), para tentar explocar de maineira positiva o potencial que o País tem.  Será na terça e na quarta no WTC.”


Mentiras & Verdades


O mundo da moda nunca foi pequeno demais para deixar desabrigados os egos daqueles que, sem conhecimento da história, se imaginam “os primeiros” . Assim foi com Ocimar Versolato, o talentoso, assim é com Gustavo Lins, o medíocre, descrevendo-se  como “os primeiros brasileiros” a ter “Maison de couture” em Paris. Para informação dos dois, o primeiro brasileiro a ter ateliê na Rue Cambon , final dos anos 1960, foi EKTOR, nascido Irajá Hoffmeister   que “herdou” toda a equipe de Balenciaga que havia fechado suas portas em 1968. Um triângulo amoroso conturbado envolvendo seu patrocinador e outro brasileiro  acabou terminando com a “Maison Ektor” , mas não lhe tira a essa primazia.

“Ektor, em Paris, 1969 foto dedicada à Maria Stella Splendore.”


Rendas & Babados


Pérolas falsas

Ainda há quem acredite que existe crítica de moda no Brasil. A persistente do muito escrever e nada a dizer, Wivian Whiteman, ocupou meia página da revista Serafina de maio, para, entre tantas pérolas, elocubrar sobre o destino do dinheiro que  será/seria  destinado à moda como “cultura” pela malfadada-mal falada lei Rouanet. Em um  texto com português rasteiro, próprio de quem quer ser moderneira,  diz que  jornalistas e críticos de moda –estes, existentes apenas em sua pródiga-e-pobre imaginação–  andam reclamando, “com razão”, o fato de que os desfiles das grandes semanas de moda estão “cada vez mais focados nas vendas”. Certamente Lady Whiteman não assiste desfiles de João Pimenta, Ronaldo Fraga, Fauze Haten, Jefferson Kulig, entre outros, para essa delirante afirmação. No mundinho brasileiro das modas, onde apenas desfilam e aparecem os amiguinhos de organizadores  e jornalistas da mídia jabás-com-strass, é no mínimo gargalhante ler semelhantes disparates. Vivian deve achar ruim que estilistas e marcas que fazem moda minimamente usável, possam vender e sobreviver, sem transformar quem a veste em personagens próprios para uma imitação de circo suburbano.

Leia mais sobre o assunto: “Moda brasileira na UTI “ http://chic.ig.com.br/gayegos/noticia/rendas-babados-o-novo-estilista-do-et-de-varginha

Semana dos emergentes

Londres sempre teve, em termos de moda e costumes,  a fama de ser vanguardista por aqueles que nunca passearam seus pezinhos pelas ruas de Tóquio. Em mais uma de suas invenções criaram o “Graduate Fashion Week” onde diversas escolas de moda  do mundo apresentam os trabalhos de conclusão dos alunos. Os desfiles dessa semana londrina atraem até Suzy Menkes e são comentados no New York Times, ao contrário dos desfiles de formatura das escolas brasileiras,  onde jornalistas importantes nunca aparecem para ver o que está acontecendo e, quando o fazem,  é por alguma “homenagem” ou aparição-apresentação, sempre remunerada. Ainda  não se sabe se, em um assomo de imitação  e para colocar mais alguns trocados no caixa,  qualquer empresário tenha essa brilhante ideia. Sabe-se apenas que os palpiteiros habituais e os “agitadores culturais”, com a inefável frase “qual é o budget”? estarão   presentes para mais uma boquinha financeira que os previnam de possíveis cheques devolvidos e títulos protestados.

Inteligência e  modéstia

Quando criou a ópera Bodas de Fígaro, Mozart nunca poderia imaginar que sua obra reuniria três figuras admiráveis no extraordinário Walt Disney  Concert Hall com a Filarmônica de Los Angeles, dirigida por Gustavo Dudamel,  para uma versão moderna na montagem. Sentados no mesmo sofá com Frank Gehry, o arquiteto, Jean Nouvel e o estilista Azzedine Alaïa, discutiram cada detalhe da produção, com Alaïa, em um excesso de modéstia e inteligência, dizendo  “não estar preparado para fazer as provas das roupas masculinas”. No Brasil, onde as copiadoras multifuncionais trabalham sem a preocupação de horas extras, imagina-se, com pavor, o que seria uma montagem dessa ópera no Memorial da América Latina, com Sig Bergamin criando os cenários e João Pimenta fazendo os modelinhos para o Conde Almaviva. A  única chance de um projeto como esse acontecer com qualidade, seria dar a direção ao talentoso e exigente John Neschling, que imediatamente demitiria Sig e Pimenta, colocando em seus lugares Felippe Crescenti e Lino Villaventura.

Frase fraseada e hilária: “Eu não sei quem foi que inventou o salto alto, mas todas as mulheres devem muito à essa pessoa.” :  Marilyn Monroe

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